Por aí

Trilha até Machu Picchu: Salkantay

Minha experiência na trilha de 4 dias e 3 noites.
Letícia Genesini
13 de de 2017

Em maio (nossa, já faz tudo isso), eu fiz minha viagem ao Peru e até agora estou devendo o relato da minha trilha até Machu Picchu! Bem, promessa é dívida! Aí vai o relato da trilha de Salkantay!

Como muitas pessoas que vão ao Peru um dos meus destinos era conhecer Machu Picchu. Você basicamente tem duas opções para chegar à cidade sagrada: de trem ou, como faziam os Quechuas na época do império, a pé. Todo império Inca era conectado por trilhas que eles percorriam a pé com uma destreza impressionante. Trilhas que os espanhóis levavam 10 dias par percorrer, por exemplo, os nativos faziam em 3. E muitas delas estão conservadas até hoje.

A mais usada nas rotas turísticas é a trilha clássica (apelidada de Trilha Inca). Ela é um caminho históricamente bonito, com ruínas e escadarias pelo caminho. O caminho tem salives e declives, mas nada de grandes montanhas. A dificuldade maior é que realmente são muitos e muitos trechos de escada, e muitas delas estreitinhas.

Mas a que eu escolhi fazer foi a Trilha de Salkantay. Esta tem esse nome porque atravessamos a montanha Salkantay. É um percurso de 4 dias e 3 noites, fisicamente mais desafiador, porque tem mais aclives e declives, e a altitude é maior, mas a vista compensa. Você vai passar por diversos biomas do Peru, de montanhas altas e frias, a selvas quentes e úmidas.

Altitude
Sim, é necessário se aclimatar. Não tem choro nem vela. É preciso passar pelo menos 3 dias em Cusco (3.400m de altitude), o que não é algo ruim porque a cidade é linda e tem muito o que fazer nos entornos. Fizemos esse post com todas nossas dicas de como lidar com altitude.

Roteiro
A partida da viagem é da cidade de Cusco, que um dia foi o centro do Império Inca (por isso seu nome ‘Cosco’ que em quechua significa centro). De lá pegamos uma van que nos leva ao início da trilha. São 4dias e 3 noites andando, parando só para comer e dormir. Sem energia elétrica. Sem água quente (e alguns dias sem chuveiro). São cerca de 42km ao todo, mas que encurtamos o último dia por falhas técnicas.

cidade de Cusco

Nós fechamos o pacote com a Pisa Trekking, que é especializada em viagens de aventura, e lá nosso guia local era o JJ da Condor Travel (e isso não é publi post, acho importante dizer as agências porque na América do Sul ainda tem pouca agência que realmente faz turismo de aventura com segurança). Além do mais, a equipe que nos acompanhou foi tão tão querida, que se eu não desse os créditos nunca ia me perdoar.

Você pode escolher levar todas suas malas ou só a mochila de ataque. Eu escolhi a segunda opção. Uma equipe de transporte levava todos os mantimentos, e nós carregávamos apenas o que precisaríamos na caminhada. Eles também cozinhavam as refeições principais nos acampamentos. Além disso tínhamos um cavalo de apoio (caso alguém se machucasse e precisasse ser carregado).


Dia 01
O primeiro dia de caminhada é tranquilo, a altitude nos faz sentir um bando de sedentários, então é bom. O primeiro acampamento que iríamos ficar era a 4.000 metros de altitude, já na base do Salkantay, mas como o Rodrigo passou mal era perigoso ele dormir numa altitude tão alta. Assim pegamos um acampamento anterior a 4.800m. Como nosso dia de caminhada ficou mais curto, fomos até um lago atrás de um pequeno morro, há cerca de 1,5km do acampamento. Essa caminhadinha, juro, foi a coisa mais difícil fisicamente que eu fiz na minha vida. Com a altitude, cada passo parecia que eu estava subindo uma montanha. No meio tive que sentar, o coração saindo pela boca. Mas valeu a pena, o lago era lindo. E foi um treino para o dia seguinte.

A vista para o acampamento depois da subida pro lago

 

O Lago

Um desafio foi dormir no frio. Meu sleeping estava preparado para temperaturas negativas, mas mesmo assim vesti toda a roupa que tinha! E não. Não tinha chuveiro para banho.

Dia 02: A subida do Salkantay
A montanha Salkantay possui neve eterna e só se chega a seu pico com equipamento de escalada (e muitos anos de prática). A trilha, claro, não leva ao seu cume, “apenas” à base rochosa, que já são a  4.600m de altitude. Sim, subimos em uma tacada 800m de aclive ininterruptos.

Foi difícil, mas o aquecimento do dia anterior ajudou. Novamente, o problema nem é o esforço físico. Muscularmente estava tudo bem. Mas a falta de ar da altitude é impressionante. Mais impressionante ainda era ver os guias locais andando de boa, e você sentindo que precisaria de uma bolsa de oxigênio.

No topo!

Chegado no topo, é curtir a vista. Não por muito tempo para não abusar da altitude. E também porque ainda temos que descer todo o vale. Essa é a parte muscularmente difícil. Horas e horas só de descida. Quem não tem joelho bom pode começar a agachar e levantar uns pesinhos.

Acampamos em Collpapampa, um micro vilarejo, no quinta de locais. O Peru ainda é muito rural, e o turismo dá às comunidades uma segunda fonte de renda. Lá conseguimos alugar o banheiro e tomar banho quente!

Nosso guia JJ, e a descida que nos aguarda

 

A névoa no vale, e montando acampamento para o almoço


Dia 03: Mais descida.
Machu Picchu está no meio da floresta sub tropical do Peru, em uma altitude muito tranquila (2.400m). Logo tem que descer muito. No meio do dia, a bota de trekking do Rodrigo abriu a sola feito um jacaré. Não tinha o que fazer. O terreno era cheio de pedregulho, e com descidas escorregadias. Sem chance de fazer sem a bota. Pegamos uma van que nos levou a uma térmica de água natural.

O acampamento agora era um espaço dentro de uma área mais urbana. Confesso que o contraste da paz do mato com as pessoas me deprimiu um pouco. Somado ao fato que tivemos que encurtar a trilha em quase 1 dia e meio. Mas o dono do espaço era um cafeicultor de produção orgânica (que novamente, se uniu ao turismo para melhorar a renda) e conseguimos visitar a plantação.

A equipe viu que eu estava chateada, e fez um bolo pra mim!

O bom da área urbana é que o Rodrigo conseguiu consertar a bota. A tilda de Sankantay ficou incompleta, mas ainda temos o monte Machu Picchu pra subir.

Teve banho, mas frio.

Dia 04: Água Calientes ou Machu Picchu Pueblo.
Pegamos a van que nos deixou na ferrovia, onde pegaríamos o trem para Água Calientes, também chamada de Machu Picchu Pueblo (a cidade base para visitar as ruínas de Machu Picchu). Esse já era o plano original. Pode-se entrar em Águas Calientes caminhando ou por trem, nós escolhemos o trem porque eu também amo esses passeios.

Águas Calientes é uma cidade turística. Só existe porque as pessoas vão à Machu Picchu, então não tem muito o que ver. Só comer, descansar para o dia seguinte: a visita à cidade e subida à montanha de Macchu Picchu.

Sobre Machu Picchu fica pra um próximo post, porque esse já ficou muito longo, né?

Mas se você quiser ver as minhas dicas de onde comer em Lima, dá uma lida aqui!

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