Cidade

Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

Conheça sua história
Letícia Genesini
10 de maio de 2018

O Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, mais conhecido apenas como Teatro Oficina, é uma companhia e um espaço ícone da produção cênica paulistana. Localizado em São Paulo na Rua Jaceguay, bairro do Bixiga, próximo ao local onde tivemos o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) ele é um sobrevivente da região que assistiu ao nascimento do verdadeiro teatro paulistano.

Ainda sem casa, a companhia foi fundada em 1958 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo por Amir Haddad, Carlos Queiroz Telles e José Celso Martinez Corrêa, dramaturgo e atual diretor da companhia. Já em sua casa ele fez parte da experiência cênica nacional e internacional, além de ter sido o local de lançamento do manifesto Tropicalista.

Seu prédio passou por mudanças ao longo da história, inclusive um incêndio em 1966, até receber o projeto arquitetônico atual, tombado pelo Condephaat em 1982. Antes era chamado de Sanduíche, um palco, com plateia de um lado e do outro. Depois tornou-se um palco italiano (o palco mais comum de teatro hoje), com uma roda giratória grande.

O projeto final transforma a cena teatral em um espaço passagem. Um palco que não é palco, mas opera como se fosse uma rua com a plateia dos dois lados, em duas fileiras de cadeiras, em andares. Feito na década de 90, ele é de autoria da grande arquiteta Lina Bo Bardi (que também colocou sua digital na arquitetura cultural paulistana com o MASP e SESC Fábrica da Pompéia), e foi o projeto vencedor da Bienal de Praga em 1999. A construção única também deu ao Teatro Oficina também o título de o melhor teatro do mundo na categoria projeto arquitetônico pelo jornal The Guardian.

O teatro de Zé Celso sempre esteve envolvido com as questões sociais da cidade e do país, e hoje não é diferente. O debate em cena agora envolve o Grupo Silvio Santos, dono do terreno ao lado do Oficina, pretende construir torres de cem metros que abrigará um centro comercial. A construção desconfiguraria o premiado projeto de Lina Bo Bardi, tapando suas largas janelas que dão para o bairro do Bixiga, e a árvore que mistura o dentro e o fora, assim como as produções do oficina combinam a realidade e a narrativa, o palco com a rua.

Este não é apenas um detalhe estético, mas um elemento fundamental nas relações desse palco inovador que vê a cidade como um elemento constituinte de sua ação. Além de ser uma batalha simbólica da cultura paulistana que antes habitava as ruas e agora perde espaço para centros comerciais. Se antes o teatro abordava questões fundamentais do espaço público e da alma humana, se reunindo em grandes centros de cultura, hoje ele perde espaço para produções rasas e palcos dentro shopping centers.

É uma discussão complexa sobre a cidade que queremos construir e viver. Independente dos argumentos, uma coisa podemos falar com certeza: antes de opinar, visite o Oficina!

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