Comida

Preto Café: o café onde nada está à venda

Um café onde nada tem preço e você paga quanto quiser
Letícia Genesini
12 de julho de 2017

Na República, bem no centro de São Paulo, está o discreto Preto Café. O cardápio são folhas impressas na parede com o café e comidinhas no dia, mas nada tem preço. Tudo é gratuito — inclusive a internet aberta — e você paga pela experiência, mas quanto quiser (se quiser).

O serviço de salão nós que fazemos, tanto para pegar o cafezinho, devolver xícara, quanto para pagar. No lugar do caixa, há um bowl onde você coloca o dinheiro e uma máquina de cartão que você opera sozinho — sem pressão ou constrangimento. E como medir o preço da experiência? Eles deixam transparente todos os gastos do empreendimento, mas no fim quem decide mesmo é você.

A ideia é que não existe mesmo um valor “ideal”, exatamente porque nada está à venda. A pergunta que nunca cala é, a conta fecha? Às vezes. Quando há um excedente, ele é  é destinado ao fundo da associação. Se a conta não fechar a diferença, na medida do possível, é custeada pelo fundo da associação. Muito além de construir um negócio rentável, porém, o Preto é um experimento de colaboração — e ver se é isso que o público quer. “O Preto Café só continua funcionando, no médio prazo, se o modelo da transparência e da colaboração mostrar que pode funcionar. Ou seja: você é a chave desse experimento louco”, contam os idealizadores.

A experiência inspirada no Curto Café, no Rio de Janeiro, também tem outros paralelos em São Paulo, como o Instituto Chão, que vende orgânicos a preço de custo e o consumidor decide, a partir de uma tabela transparente de custos, o quanto quer (ou não) acrescer à soma para contribuir o local. São iniciativas que propõem novas formas de se relacionar com a profissão, com o comércio, e mesmo, com a cidade.

“Queremos provocar (inclusive a nós mesmos) sobre quanto custa o que consumimos, como nos conectamos com o mercado local, quanto lixo produzimos, que saídas podem existir numa cidade onde tudo é “gourmet”, como fugir da escala industrial, que possibilidades há para estar e agir na cidade, como buscar uma alternativa à impessoalidade da relação cliente/funcionário/horário comercial/empregador.”

Preto Café
Galeria arouche | loja 18
Entrada pelo largo do arouche, 99 ou pela rua do arouche, 200
Segunda a sexta das 12h às 18h

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