Comida

Comida de Hospital é alimento?

O lugar que devia nos curar está nos adoecendo?
Amigos do Sao Paulo Saudavel
14 de de 2016

Há 3 anos tive a experiência de conhecer por dentro a alimentação que um hospital serve a seus pacientes. Um hospital particular, aqueles bonitos, com tecnologia de ponta, lojas de vários tipos e vidros espelhados. Minha crise de vesícula complicou e tive que me submeter com urgência a uma cirurgia no fígado. Foram 44 dias internada e não tinha ideia de como seria difícil encarar a comida do hospital.

Não que eu esperasse alimentos orgânicos, longe disso! Mas não estava preparada para aquela enxurrada de produtos industrializados: sucos, margarinas, geleias, biscoitos e bolinhos recheados com aquele creme lotado de açúcar, gordura e chocolate. Mas gente eu operei o fígado! Não tinha que ser uma “coisinha” mais natural?

Bom, passaram-se os 44 dias e a médica achou conveniente me mandar para casa temendo que eu entrasse em depressão por falta de sol e nutrientes. Estava vivendo de suco de laranja lima, porque descobri que ninguém faz suco de laranja lima industrializado, Graças a Deus!!! Reclamei, reclamei, mas o tempo passou e eu acabei deixando para lá.

Até que, agora em julho minha mãe foi internada, e parece que a dor dos nossos cala mais dentro da gente. Foi uma pneumonia, depois uma infecção urinária e por conta dos remédios acabou com infecção no intestino.

E como foi difícil ver a minha velhinha de 87 anos que me introduziu no universo dos alimentos orgânicos, tendo que engolir um pão industrializado com margarina, geleia sem frutas, aquelas comidas cozidas até não ter mais nada de nutriente e tudo aquecido em micro-ondas num pote de plástico.

Dos sucos eu consegui livrá-la, alegando que ela tinha alergia a corantes e conservantes. Aí vinha suco de polpa, menos mal. À noite solicitei um mingau de aveia, hábito que ela cultiva há anos em vez do jantar. Aveia solta o intestino, veio de maisena (transgênica, claro) e pasmem fui ler os ingredientes: leite, creme de leite, margarina e maisena.

Confesso, fiz contrabando de comida, levei frutas frescas (que raramente serviam) e um mingau de farinha de arroz com maçã e bananas cozidas no vapor. Daí esqueceram e trouxeram o mingau de aveia, também com margarina. Claro que não dei. Desabafando com outras pessoas, ouvi relatos tenebrosos e doloridos.

Uma pessoa doente precisa de conforto e desde a infância conhecemos a estreita ligação alimento e afeto. Uma alimentação equilibrada, caseira, fornece os elementos necessários para a recuperação do organismo e a elevação da nossa autoestima. E isso não se encontra dentro de pacotes ou saquinhos.

Por isso criamos o grupo no Facebook – Comida de Hospital é Alimento?, onde pretendemos juntar o maior número de experiências e chamar a atenção para essa situação. Nosso objetivo é regulamentar a alimentação dentro dos hospitais, priorizando a comida de verdade, livre de aditivos químicos. Conto com todos que acreditam que alimento é VIDA! Participe.

 

Por Nadia Cozzi
Você pode achar outros conteúdos da Nadia em seu blog BioCulinária

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