Comida

Amma Chocolate: orgânico e brasileiro

Conheça nossa série Puro Cacau
Letícia Genesini
04 de maio de 2016

Quem não ama chocolate? O ruim é engolir como alguns chocolates são feitos por aí. Entre gordura hidrogenada e denúncias de trabalho escravo fica difícil comer chocolate tranquilamente. A boa notícia, é que tem gente trabalhando para mudar este cenário, cultivando cacau e produzindo chocolate de excelente qualidade. Para celebrar essas pessoas que adoçam nossa vida, criamos a série Puro Cacau, na qual a cada mês vamos contar mais dos desafios de produzir esse fruto e lhe convidar a provar o melhor do chocolate de marcas deliciosas, criativas e sustentáveis. Para já começar bem trazemos o chocolate 100% baiano e orgânico da AMMA Chocolate!

É difícil hoje quem não conheça a AMMA. Presente desde o Empório Santa Luzia, até a Feirinha do Ibirapuera, o chocolate AMMA é amado tanto pelos paulistanos viciados em saúde, quanto os fanáticos por gastronomia (ambos grupos integrados por nós, claro). O mais impressionante é que a marca consegue unir o sucesso comercial com sua postura sustentável não apenas inabalada, mas sustentada sobre ela. E isto se dá muito pela visão de seu fundador, Diego Badaró.

Membro da quinta geração de cacaueiros de renome (a família dele é até citada em romance de Jorge Amado, entende?), Diego tinha o sonho de recuperar as terras da fazenda de Itacaré devastadas pela vassoura-de-bruxa, praga que atingiu muitas plantações de cacau no final dos anos 80. Mas ele foi além, a fazenda não apenas foi recuperada, assim como criou uma produção fundada na sustentabilidade. Hoje, em meio ao plantio orgânico, as pragas são prevenidas com um adubo natural, mas a resistência do cacau se deve ainda pelo sistema de produção “cabruca”, em que os cacaueiros crescem acompanhados da mata nativa, preservando naturalmente a biodiversidade do solo e criando plantas mais resistentes.  “O cacau precisa da biodiversidade para crescer bem. Precisa de umidade, sombra. Na Indonésia, por exemplo, estão desmatando grandes áreas para produzir cacau. Na África, onde as árvores tomam muito sol, elas só duram 20 anos. Na Bahia, onde nascem os frutos que dão origem ao chocolate Amma, temos plantas de 260 anos. E quanto maior a produção mais precisaremos plantar árvores de espécies variadas para mantê-la.” conta Diego em entrevista.

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As iniciativas sustentáveis não param por aí. Além disso, a AMMA usa paneis solares para sua geração de energia elétrica usada na produção de seus chocolates e planta árvores que fornecem a matéria prima para suas embalagens. Ah, e pra quem conhece o lado amargo do chocolate e a relação com a escravidão moderna, vai achar incrível descobrir que a empresa compartilha quase 50% dos lucros com os trabalhadores (quem não sabia, veja o documentário The Dark Side of Chocolate e nunca mais veja a prateleira de chocolates do supermercado do mesmo jeito).

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Foto: prazeres da mesa

Há ainda um outro importante (e delicioso) modo com que a AMMA vem preservando o cacau brasileiro. Hoje a principal ameaça ao cacau não são pragas, mas sim as próprias empresas de produtos alimentícios. Isso mesmo. No Brasil, a ANVISA pede que o chocolate tenha um mínimo de 25% de cacau, mas na prática encontramos menos — e acabamos comendo não chocolate, mas “gordura hidrogenada sabor cacau”. Isso cria uma desvalorização do fruto e desinteresse de cultivo na parte dos produtores. Com isso a cultura do cacau, que é baseada em conhecimento e trabalho manual está se perdendo. Por isso mesmo o governo está debatendo aumentar a porcentagem obrigatória de cacau nos chocolates, que na maioria dos países da europa é acima de 35%. E a AMMA? Bem, a AMMA não produz chocolate com menos de 30% de cacau, chegando até a barras com 100% (sendo, para mim, o melhor, a barra de 85%) — tudo com, como diz o rótulo, “cacau orgânico, açúcar orgânico, manteiga de cacau orgânico e muito amor”. Além disso, ela cria sabores que valorizam outros produtos nacionais, como o Qah’wa (60% cacau com café), o Aroreira (60% cacau com pimenta rosa) e o Theobroma grandiflorum (barra 80% em que o cupuaçu substitui o cacau).

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Quer conhecer o chocolate da AMMA, nossa dica, não vá nas lojas comuns, e sim visite a Casa do Sabor, pois se há um local que traduz a sinestesia de provar um bom chocolate é lá. Localizada em uma das casa da histórica vila modernista em que viveu Flávio de Carvalho, a Casa funciona como loja, café e laboratório sensorial. Já ao entrar, sacos de casca de cacau trazem um perfume sem igual, enquanto livros, pinturas e as próprias embalagens colorem o ambiente de madeira. Ao fundo, um charmoso café traz no cardápio combinações que fazem jus à visão dos astecas que consideravam o cacau a bebida dos deuses — nosso destaque é para o Ybabacu (leite de coco, açúcar de coco, cacau, e crisp de coco queimado) —, além das invenções gastronômicas da confeitaria de Carolina Iwai que trazem novidades surpreendentes a cada dia (inclusive o melhor bolo de chocolate que já provamos na vida, sem exageros). Então a próxima vez que alguém falar maravilhas do chocolate belga, prove o contrário: vá lá, experimente, leve para casa esse chocolate 100% baiano.

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Casa do Sabor
Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1052
De terça a sexta 10h – 19h
Sábado 11h – 19h

Para saber mais sobre chocolates, confira nossa série Puro Cacau